Uma nova trend nas redes sociais, onde usuários compartilham áudios e vídeos de assobios, ganhou força em plataformas como TikTok e Instagram. O movimento, que reúne os chamados “assobiadores”, inclui desde músicas e efeitos sonoros até imitações de animais e trilhas de filmes. A prática se organizou em grupos de WhatsApp, alguns com mais de mil participantes, com regras que permitem apenas áudios de assobios.
Na Universidade de Brasília (UnB), a trend foi transformada em uma ação solidária. Estudantes organizaram uma competição de assobios para arrecadar recursos para alunos de pedagogia participarem do Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEP), em São Luís (MA), em julho. Foram vendidas paçocas e apitos durante o evento.
A ideia partiu do estudante de ciência política Victor Almeida. Ele conta que uma amiga enviou um vídeo do TikTok e, no dia seguinte, já viu muitos outros conteúdos semelhantes. O contato com o Centro Acadêmico de Pedagogia foi decisivo. “Eles estavam buscando formas de arrecadar recursos para a viagem. Quando vi a trend, entendi que poderia ser uma oportunidade”, explica.
Victor criou uma página no Instagram, os “Assoviadores da UnB”, com mais de 700 seguidores. Um formulário de inscrição teve mais de 70 interessados. Com ajustes, cerca de 20 estudantes participaram da competição, que teve plateia de mais de 100 pessoas. As modalidades foram: assobio mais alto, melhor imitação de animal e assobio artístico. Cada participante teve 20 segundos para se apresentar, e a plateia votou nos vencedores.
A estudante Priscila Pires venceu na categoria “animal” com o canto de um pássaro. “Eu aprendi a assobiar sozinha para perturbar a minha irmã”, afirma. O estudante Pablo Antônio disse que a iniciativa tira os alunos do “piloto automático das aulas” e faz usar a universidade como lugar de entretenimento. Ele aprendeu a assobiar com a mãe. Já Gustavo Siqueira aprendeu com o irmão e o pai, que chamava comerciantes na praia com um assobio.
O uso do assobio como comunicação não é novo. Na vila de Kuşköy, na Turquia, a “língua dos pássaros” é patrimônio cultural imaterial pela UNESCO. Na ilha de La Gomera, na Espanha, o assobio é ensinado em escolas. Em contextos indígenas e rurais, é usado para comunicação à distância. Para Victor, a ação na UnB uniu entretenimento e mobilização coletiva. “Foi uma forma diferente de engajar as pessoas e contribuir com uma causa”, resume.
