Pular para o conteúdo
Insights

Dívidas do Fies no RN somam R$ 1,2 bi

Estudantes do Rio Grande do Norte acumulam mais de R$ 1,2 bilhão em dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Segundo o Ministério da Educação (MEC), cerca de 31,6 mil contratos firmados até 2017 estão em atraso no estado. O valor médio da dívida por beneficiário é de aproximadamente R$ 40 mil.

Compartilhar

Os dados foram repassados pelo MEC à Tribuna do Norte. O estoque total da dívida no RN supera R$ 1,26 bilhão. O programa foi criado para ampliar o acesso ao ensino superior privado, mas a dificuldade de inserção no mercado de trabalho e o descompasso entre renda e parcelas elevaram a inadimplência.

O perfil dos devedores mostra que 72% têm até 30 anos e 62% dos contratos são de mulheres. O MEC informou que o não pagamento compromete a sustentabilidade do programa. O prazo médio para quitação é de 15 anos.

Para o economista Janduir Nóbrega, o volume bilionário afeta a economia local. Ele afirma que, se a dívida tivesse sido quitada no tempo devido, teria gerado circulação de recursos, emprego e consumo. O economista William Pereira acrescenta que, ao renegociar e começar a pagar, milhões passam a circular mensalmente.

Jéssica Nascimento, nutricionista de 28 anos, quitou uma dívida de mais de R$ 49 mil por meio de negociação. Ela pagou cerca de R$ 15 mil e, hoje, conseguiu financiar uma casa e ter acesso a crédito. Já Amanda Carolinne, enfermeira de 33 anos, paga o financiamento, mas reclama do peso no orçamento. A dívida dela gira em torno de R$ 24 mil.

William Pereira avalia que o principal problema não está no programa, mas no mercado de trabalho, que não gera renda suficiente. Janduir Nóbrega concorda e diz que o mercado do RN é limitado, com salários mais baixos.

O governo federal lançou o Desenrola Fies para renegociar dívidas com condições facilitadas. A adesão pode ser feita até 31 de dezembro pelos canais do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. As condições incluem parcelamento e descontos conforme cada perfil. Segundo o Banco do Brasil, mais de 25 mil contratos já foram renegociados no país.