Ir para o texto
02 de set.Cultura, comportamento e atualidades
Blog-Se
Orientações

Enfarto ou infarto: qual é o certo

Cansaço extremo e desconforto no estômago podem ser a apresentação em quem tem diabetes.

Por · · 5 min de leitura
Estetoscópio apoiado em mesa de madeira ao lado de um caderno fechado
A grafia é detalhe; a diferença entre os quadros não é

Basta o assunto aparecer numa conversa para alguém corrigir alguém. Enfarto ou infarto: os dois existem, os dois estão no dicionário, e a discussão sobre qual é o certo tem uma resposta clara.

Ela envolve um pouco de história da palavra e um pouco de uso técnico.

As duas formas estão corretas

Os dicionários registram infarto, enfarto e enfarte como variantes da mesma palavra. Nenhuma delas é erro. A raiz vem do latim infarcire, que significa entupir, rechear, encher.

Na prática, infarto é a forma predominante no Brasil e a que a literatura médica brasileira usa. Enfarte é mais comum em Portugal. Enfarto ocupa um meio-termo e aparece em textos mais antigos.

Além da grafia, o termo completo também gera dúvida. O nome técnico é infarto agudo do miocárdio, e ele descreve a morte de parte do músculo cardíaco por falta de irrigação, o desfecho de uma obstrução que costuma vir sendo investigada quando se pergunta qual exame detecta veia entupida no coração.

As variantes lado a lado

Formas registradas e onde cada uma predomina
FormaUso
InfartoPredominante no Brasil, inclusive na literatura médica
EnfartePredominante em Portugal
EnfartoRegistrada, menos frequente, aparece em textos antigos
Ataque cardíacoPopular, corresponde ao infarto agudo do miocárdio
Parada cardíacaOutro evento: o coração para de bater
AnginaDor por isquemia, sem morte do músculo

As três últimas linhas são o que mais confunde, e a diferença entre elas importa muito mais que a grafia.

O que não é sinônimo

  1. Infarto não é parada cardíaca. No infarto, o coração continua batendo, mas parte do músculo sofre.
  2. Angina não é infarto. É dor por falta de sangue, sem lesão definitiva do músculo.
  3. AVC não é o mesmo evento. Embora exista o termo infarto cerebral.
  4. O termo vale para outros órgãos. Existe também o pulmonar e o intestinal.
  5. Ataque cardíaco é o mesmo que infarto. É o termo popular do mesmo evento.

Os sinais que importam mais que a palavra

Dor ou aperto no peito que dura mais de alguns minutos, com irradiação para braço, mandíbula ou costas, acompanhada de falta de ar, suor frio, náusea ou tontura, é o quadro que pede atendimento imediato.

Em mulheres, idosos e pessoas com diabetes o quadro pode ser menos típico, com cansaço extremo, mal-estar e desconforto no estômago. Diante dessa suspeita, o caminho é o SAMU pelo 192 ou o pronto-socorro mais próximo. Tempo é músculo, e cada minuto de demora aumenta a área lesada.

Como o diagnóstico é feito no pronto-socorro

Chegando ao serviço com suspeita, o protocolo é bem definido e começa rápido. O eletrocardiograma costuma ser feito nos primeiros minutos, porque é ele que identifica o padrão que exige desobstrução imediata da artéria e define a urgência do que vem a seguir.

Em paralelo entra o exame de sangue que dosa troponina, uma proteína liberada quando há lesão do músculo cardíaco. Como ela leva algum tempo para se elevar, a coleta costuma ser repetida em intervalos, o que explica a permanência em observação mesmo quando o primeiro resultado veio normal.

Conforme o caso, somam-se ecocardiograma, radiografia de tórax e, quando indicado, o cateterismo, que visualiza as artérias coronárias e permite tratar a obstrução no mesmo procedimento. Essa sequência é a razão de a orientação ser sempre procurar atendimento, e não tentar concluir em casa.

Infarto não acontece só no coração

Como o termo descreve morte de tecido por falta de irrigação, ele se aplica a qualquer órgão. O infarto cerebral é uma das formas do AVC, aquela causada por obstrução de vaso, em oposição à forma hemorrágica, provocada por rompimento.

Existe também o infarto pulmonar, associado à embolia, e o infarto intestinal, chamado de isquemia mesentérica, que é raro e grave. Em todos eles o mecanismo é o mesmo: um vaso deixa de levar sangue e a área que dependia dele sofre.

Essa lógica comum explica por que os fatores de risco se repetem entre condições aparentemente distintas. Pressão alta, diabetes, colesterol elevado e tabagismo agridem os vasos como um todo, e é por isso que o cuidado com eles reduz o risco de eventos em vários órgãos ao mesmo tempo.

O que acontece depois de um infarto

Superada a fase aguda, começa uma etapa longa e decisiva, que a maioria das pessoas conhece pouco. Ela envolve medicação continuada, controle rigoroso de pressão, colesterol e glicemia, abandono do cigarro e retomada gradual da atividade física com orientação.

A reabilitação cardíaca, feita com equipe multiprofissional, é uma das intervenções com melhor evidência nesse período e ainda assim é subutilizada. Ela combina exercício supervisionado, orientação alimentar e apoio psicológico, e está associada a melhor recuperação e menor chance de novos eventos.

O aspecto emocional merece menção. Ansiedade e sintomas depressivos são frequentes depois de um evento cardíaco, afetam a adesão ao tratamento e costumam ser tratados como detalhe. Relatá-los na consulta faz parte do cuidado, tanto quanto informar um sintoma físico.

Perguntas frequentes sobre enfarto e infarto

Enfarto está errado?

Não. É forma registrada em dicionário, apenas menos usada no Brasil que infarto.

O que a medicina brasileira usa?

Infarto, no termo completo infarto agudo do miocárdio.

De onde vem a palavra?

Do latim infarcire, que significa entupir ou encher, o que descreve bem a obstrução envolvida.

Existe infarto sem dor?

Existe, chamado de silencioso, mais comum em diabéticos e idosos.

Existe diferença entre infarto e isquemia?

Isquemia é a redução do fluxo de sangue. Quando ela se prolonga e há morte de tecido, passa a ser infarto.

Quanto tempo dura a internação depois de um infarto?

Varia bastante com a gravidade e com o procedimento realizado, e é definida pela equipe que acompanha o caso.

Resumo

Infarto, enfarto e enfarte estão todos corretos, e infarto é a forma predominante no Brasil e na literatura médica. O que realmente importa é não confundir infarto com parada cardíaca nem com angina. Dor no peito prolongada com falta de ar, suor frio ou náusea pede SAMU 192 na hora, e em mulheres, idosos e diabéticos o quadro costuma ser menos típico.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X

Leia também