Enfarto ou infarto: qual é o certo
Cansaço extremo e desconforto no estômago podem ser a apresentação em quem tem diabetes.

Basta o assunto aparecer numa conversa para alguém corrigir alguém. Enfarto ou infarto: os dois existem, os dois estão no dicionário, e a discussão sobre qual é o certo tem uma resposta clara.
Ela envolve um pouco de história da palavra e um pouco de uso técnico.
As duas formas estão corretas
Os dicionários registram infarto, enfarto e enfarte como variantes da mesma palavra. Nenhuma delas é erro. A raiz vem do latim infarcire, que significa entupir, rechear, encher.
Na prática, infarto é a forma predominante no Brasil e a que a literatura médica brasileira usa. Enfarte é mais comum em Portugal. Enfarto ocupa um meio-termo e aparece em textos mais antigos.
Além da grafia, o termo completo também gera dúvida. O nome técnico é infarto agudo do miocárdio, e ele descreve a morte de parte do músculo cardíaco por falta de irrigação, o desfecho de uma obstrução que costuma vir sendo investigada quando se pergunta qual exame detecta veia entupida no coração.
As variantes lado a lado
| Forma | Uso |
|---|---|
| Infarto | Predominante no Brasil, inclusive na literatura médica |
| Enfarte | Predominante em Portugal |
| Enfarto | Registrada, menos frequente, aparece em textos antigos |
| Ataque cardíaco | Popular, corresponde ao infarto agudo do miocárdio |
| Parada cardíaca | Outro evento: o coração para de bater |
| Angina | Dor por isquemia, sem morte do músculo |
As três últimas linhas são o que mais confunde, e a diferença entre elas importa muito mais que a grafia.
O que não é sinônimo
- Infarto não é parada cardíaca. No infarto, o coração continua batendo, mas parte do músculo sofre.
- Angina não é infarto. É dor por falta de sangue, sem lesão definitiva do músculo.
- AVC não é o mesmo evento. Embora exista o termo infarto cerebral.
- O termo vale para outros órgãos. Existe também o pulmonar e o intestinal.
- Ataque cardíaco é o mesmo que infarto. É o termo popular do mesmo evento.
Os sinais que importam mais que a palavra
Dor ou aperto no peito que dura mais de alguns minutos, com irradiação para braço, mandíbula ou costas, acompanhada de falta de ar, suor frio, náusea ou tontura, é o quadro que pede atendimento imediato.
Em mulheres, idosos e pessoas com diabetes o quadro pode ser menos típico, com cansaço extremo, mal-estar e desconforto no estômago. Diante dessa suspeita, o caminho é o SAMU pelo 192 ou o pronto-socorro mais próximo. Tempo é músculo, e cada minuto de demora aumenta a área lesada.
Como o diagnóstico é feito no pronto-socorro
Chegando ao serviço com suspeita, o protocolo é bem definido e começa rápido. O eletrocardiograma costuma ser feito nos primeiros minutos, porque é ele que identifica o padrão que exige desobstrução imediata da artéria e define a urgência do que vem a seguir.
Em paralelo entra o exame de sangue que dosa troponina, uma proteína liberada quando há lesão do músculo cardíaco. Como ela leva algum tempo para se elevar, a coleta costuma ser repetida em intervalos, o que explica a permanência em observação mesmo quando o primeiro resultado veio normal.
Conforme o caso, somam-se ecocardiograma, radiografia de tórax e, quando indicado, o cateterismo, que visualiza as artérias coronárias e permite tratar a obstrução no mesmo procedimento. Essa sequência é a razão de a orientação ser sempre procurar atendimento, e não tentar concluir em casa.
Infarto não acontece só no coração
Como o termo descreve morte de tecido por falta de irrigação, ele se aplica a qualquer órgão. O infarto cerebral é uma das formas do AVC, aquela causada por obstrução de vaso, em oposição à forma hemorrágica, provocada por rompimento.
Existe também o infarto pulmonar, associado à embolia, e o infarto intestinal, chamado de isquemia mesentérica, que é raro e grave. Em todos eles o mecanismo é o mesmo: um vaso deixa de levar sangue e a área que dependia dele sofre.
Essa lógica comum explica por que os fatores de risco se repetem entre condições aparentemente distintas. Pressão alta, diabetes, colesterol elevado e tabagismo agridem os vasos como um todo, e é por isso que o cuidado com eles reduz o risco de eventos em vários órgãos ao mesmo tempo.
O que acontece depois de um infarto
Superada a fase aguda, começa uma etapa longa e decisiva, que a maioria das pessoas conhece pouco. Ela envolve medicação continuada, controle rigoroso de pressão, colesterol e glicemia, abandono do cigarro e retomada gradual da atividade física com orientação.
A reabilitação cardíaca, feita com equipe multiprofissional, é uma das intervenções com melhor evidência nesse período e ainda assim é subutilizada. Ela combina exercício supervisionado, orientação alimentar e apoio psicológico, e está associada a melhor recuperação e menor chance de novos eventos.
O aspecto emocional merece menção. Ansiedade e sintomas depressivos são frequentes depois de um evento cardíaco, afetam a adesão ao tratamento e costumam ser tratados como detalhe. Relatá-los na consulta faz parte do cuidado, tanto quanto informar um sintoma físico.
Perguntas frequentes sobre enfarto e infarto
Enfarto está errado?
Não. É forma registrada em dicionário, apenas menos usada no Brasil que infarto.
O que a medicina brasileira usa?
Infarto, no termo completo infarto agudo do miocárdio.
De onde vem a palavra?
Do latim infarcire, que significa entupir ou encher, o que descreve bem a obstrução envolvida.
Existe infarto sem dor?
Existe, chamado de silencioso, mais comum em diabéticos e idosos.
Existe diferença entre infarto e isquemia?
Isquemia é a redução do fluxo de sangue. Quando ela se prolonga e há morte de tecido, passa a ser infarto.
Quanto tempo dura a internação depois de um infarto?
Varia bastante com a gravidade e com o procedimento realizado, e é definida pela equipe que acompanha o caso.
Resumo
Infarto, enfarto e enfarte estão todos corretos, e infarto é a forma predominante no Brasil e na literatura médica. O que realmente importa é não confundir infarto com parada cardíaca nem com angina. Dor no peito prolongada com falta de ar, suor frio ou náusea pede SAMU 192 na hora, e em mulheres, idosos e diabéticos o quadro costuma ser menos típico.


