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Jeep Cherokee renasce com motor turbo e versão híbrida

Jeep Cherokee renasce com motor turbo e versão híbrida

A marca Jeep está presente no Brasil desde o início dos anos 1940, quando algumas unidades chegaram ao país para uso do Exército durante a Segunda Guerra Mundial. A imagem de robustez foi construída com as notícias do front, mas a percepção de luxo veio na década de 1990 com a linha Cherokee.

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Sonhos de consumo nos primeiros anos de reabertura das importações, esses modelos definiram o conceito SUV. As suspensões duras e o acabamento rústico foram substituídos por conjuntos mais macios, bancos de couro e comandos elétricos. Agora, os motores V6 e V8 saem de cena.

O grupo Stellantis disponibilizou as gerações atuais dos jipões de luxo para teste em sua pista de Auburn Hills (EUA). O primeiro avaliado foi o Grand Cherokee na versão de cinco lugares, igual às comercializadas no Brasil em vidas passadas.

O modelo veio equipado com o novo motor 2.0 turbo a gasolina, que atinge 324 cv de potência sem nenhuma eletrificação. Há 30 anos, a versão Limited vendida no mercado nacional trazia um 5.2 V8 (220 cv).

O conjunto mecânico atual é uma evolução do Hurricane que equipa as opções mais caras dos Jeeps Commander e Compass e da picape RAM Rampage. Essa coincidência pode facilitar a comercialização do Grand Cherokee no Brasil. A decisão cabe ao grupo Stellantis, que precisa avaliar a viabilidade de mercado e questões ligadas às normas ambientais.

Caso venha, não deve custar menos que R$ 500 mil. Em 2023, a última versão desse SUV disponível no país custava R$ 570 mil, mas trazia a tecnologia híbrida plug-in.

Nos Estados Unidos, o Grand Cherokee testado custa aproximadamente R$ 300 mil. O teto solar dividido em duas partes e os 19 alto-falantes espalhados pela cabine reforçaram a proposta premium. Havia também bancos revestidos de couro e central multimídia com tela de 12,3 polegadas.

O ar-condicionado veio com quatro zonas independentes de temperatura, todas com ajustes digitais. O sistema recebeu botões físicos, também presentes nas regulagens de volume e de sintonia do rádio.

A versão avaliada trouxe forrações claras contrastando com partes pintadas de preto brilhante. Texturas semelhantes à madeira foram colocadas em partes do painel e das portas, bem ao gosto do consumidor norte-americano.

Em movimento, o motor 2.0 turbo pareceu render mais que os 324 cv faziam supor. O Grand Cherokee retomou a velocidade com vigor e se comportou bem em trechos sinuosos, sem lembrar o molejo das versões disponíveis entre os anos 1990 e a primeira década do século 21.

Até mesmo a opção SRT8 (432 cv), que foi o carro mais rápido do Ranking Folha Mauá 2006, não parecia tão firme quanto o modelo atual. A diferença também apareceu com consumo de combustível.

A Jeep divulgou que o gasto médio de gasolina no padrão americano é de 9,7 km/l na nova geração do Grand Cherokee. Já o modelo avaliado há 20 anos tinha consumo aproximado de 4 km/l.

As mudanças foram ainda mais surpreendentes no Jeep Cherokee. Menor e com proposta mais voltada para o uso off-road, o utilitário retornou ao mercado dos EUA após um intervalo de três anos. Tem agora um motor 1.6 turbo HEV, sigla que revela o uso da tecnologia híbrida plena.

O modelo não pode ser recarregado na tomada, mas a pequena bateria é alimentada constantemente nas frenagens e também pelo próprio motor a gasolina. A potência combinada chega a 213 cv.

De acordo com a Jeep, o Cherokee híbrido tem consumo médio de 15,7 km/l, o que o coloca na disputa direta com o Toyota RAV4 Hybrid. No Brasil, a nova geração do SUV de origem japonesa é oferecida por a partir de R$ 319.690. Caso venha para o Brasil, o novo Jeep deve ter valor semelhante.

Ao volante, esse Cherokee (que tinha o sobrenome Sport no Brasil dos anos 1990) rodou tão suave que nem pareceu ser um modelo 4×4. Os acabamentos mais simples que os vistos na opção Grand resultaram numa cabine acolhedora, exigindo menos do motorista na hora de achar os comandos.

O motor 1.6 turbo colaborou para um bom desempenho, embora seja possível notar que havia bem menos força disponível que no irmão maior. O estilo quadrado trouxe à memória o passado da marca, mas agora com a eficiência energética que era apenas um projeto em desenvolvimento no início dos anos 1990.