Recuperação da prótese de quadril: quando anda, quando dirige, o que não pode fazer e quanto tempo leva
A recuperação da prótese de quadril começa no dia seguinte à cirurgia e leva três meses até a rotina completa.

- O que acontece no hospital
- Recuperação da prótese de quadril: as fases e o que muda em cada uma
- Os cuidados das primeiras seis semanas
- A dor e o inchaço ao longo dos meses
- Fisioterapia: quanto tempo e para quê
- Quando dirige, quando volta ao trabalho, quando viaja
- Sexo, esporte e o que a prótese aguenta
- Sinais de que algo saiu do roteiro
No dia seguinte à cirurgia, o fisioterapeuta entra no quarto, ajuda o paciente a sentar na beira da cama e o coloca em pé com o andador. Quem esperava ficar semanas deitado se surpreende. A recuperação da prótese de quadril começou a mudar nos últimos quinze anos. Anestesia mais leve, incisão menor, controle de dor melhor e a ordem de levantar cedo encurtaram a internação para dois ou três dias, e a volta à rotina para cerca de três meses.
O que continua igual é a sequência de etapas e as regras de proteção nas primeiras semanas, quando a prótese ainda não está fixada ao osso e a musculatura em volta está fraca. Um médico de quadril entrega ao paciente, na alta, um roteiro do que pode e do que não pode fazer em cada fase, e é esse roteiro que este texto organiza.
O que acontece no hospital
Entre uma e duas horas é o que a cirurgia dura. No mesmo dia ou no seguinte, o paciente fica em pé com apoio, dá os primeiros passos no corredor e aprende a sentar e levantar sem girar a perna operada. O dreno e a sonda, quando usados, saem em 24 a 48 horas. A alta acontece entre o segundo e o quarto dia, já andando com andador ou muletas, subindo um lance de escada com apoio e sabendo fazer os exercícios de tornozelo e de contração da coxa.
Vai para casa com anticoagulante por duas a cinco semanas, analgésico programado, meia elástica e a data do retorno para retirar os pontos, em geral entre 12 e 15 dias.
Recuperação da prótese de quadril: as fases e o que muda em cada uma
Segue a sequência habitual; os prazos variam com a idade, a técnica e a condição de antes da cirurgia.
| Fase | Período | O que já pode | O que ainda não pode |
|---|---|---|---|
| Hospital | Dias 0 a 3 | Ficar em pé, andar com andador, sentar em cadeira alta | Cruzar as pernas, dobrar o quadril além de 90 graus, girar a perna para dentro |
| Casa, primeiras semanas | Semanas 1 a 3 | Andar em casa e curtas distâncias fora, tomar banho de chuveiro com curativo protegido, subir escada com corrimão | Dirigir, dormir de lado sem travesseiro entre as pernas, cadeira baixa e sofá fundo |
| Transição | Semanas 4 a 6 | Trocar andador por uma muleta ou bengala, dirigir se a perna operada for a esquerda e o carro automático, trabalho sentado | Corrida, agachamento profundo, carregar peso, esportes de impacto |
| Fortalecimento | Semanas 6 a 12 | Andar sem apoio, dirigir com liberação, bicicleta ergométrica, natação após cicatrização, viagens | Impacto repetido, esportes de contato |
| Rotina completa | Meses 3 a 6 | Caminhada longa, musculação orientada, dança, golfe, tênis em dupla | Corrida em asfalto e futebol, na maioria das orientações |
Os cuidados das primeiras seis semanas
Esses cuidados existem para evitar a luxação, que é a saída da cabeça da prótese do encaixe. Nas primeiras semanas a cápsula ainda está cicatrizando e a musculatura não segura o implante; depois disso o risco cai muito. O roteiro:
- Não dobrar o quadril além de 90 graus: nada de cadeira baixa, sofá fundo, vaso sem elevação nem se curvar para pegar algo no chão.
- Não cruzar as pernas nem os tornozelos, sentado ou deitado.
- Não girar o lado operado para dentro; para virar o corpo, girar os pés junto.
- Dormir de costas ou do lado não operado, com travesseiro entre os joelhos.
- Usar assento elevado no vaso sanitário, cadeira com braços e calçadeira longa.
- Entrar no carro sentando de costas no banco reclinado e trazendo as duas pernas juntas.
Em técnicas por via anterior algumas dessas restrições são mais brandas, e a orientação de quem operou vale mais do que qualquer lista.
A dor e o inchaço ao longo dos meses
Nas duas primeiras semanas a dor da cirurgia diminui muito e vira desconforto ao esforço no primeiro mês. O inchaço na coxa e no tornozelo dura de quatro a oito semanas e piora no fim do dia; elevar a perna e usar a meia elástica ajudam. Dor que aumenta em vez de diminuir, panturrilha dura e dolorida, febre ou secreção na ferida não fazem parte do roteiro e pedem contato com a equipe.
Fisioterapia: quanto tempo e para quê
Fisioterapia começa no hospital e segue por seis a doze semanas, duas a três vezes por semana, com exercícios diários em casa. As primeiras semanas treinam marcha, equilíbrio e contração do glúteo; da quarta em diante entram força com carga progressiva e abandono gradual dos apoios. Quem chega à cirurgia com músculo fraco de anos de artrose leva mais tempo nesta etapa, e é ela que decide se a pessoa vai andar sem mancar.
Quando dirige, quando volta ao trabalho, quando viaja
Dirigir costuma ser liberado entre quatro e seis semanas, quando o lado operado responde com força e velocidade para frear, e sem analgésico forte no corpo. Trabalho sentado volta por volta da quinta semana; trabalho em pé ou com carga, do terceiro ao quarto mês. Viagem longa de avião ou carro pede pausa a cada hora para andar, pela trombose, e é mais tranquila depois da sexta semana.
Sexo, esporte e o que a prótese aguenta
Relação sexual pode ser retomada quando a dor permitir, respeitando os cuidados de posição, em geral a partir do primeiro mês. Caminhada, natação, bicicleta, musculação orientada, golfe, dança e tênis em dupla são liberados com o tempo. Corrida de rua, futebol e esportes com salto costumam ficar fora, porque o impacto repetido encurta a vida do implante, que hoje dura de 20 a 25 anos para a maior parte das pessoas.
Sinais de que algo saiu do roteiro
Dor súbita e forte com a perna encurtada e virada, sem conseguir mexer, é luxação e exige pronto-socorro. Panturrilha inchada, quente e dolorida ou falta de ar súbita indicam trombose e embolia. Febre, vermelhidão crescente e secreção na ferida indicam infecção. Dor na coxa que piora com o apoio depois de meses sem dor pode ser afrouxamento e pede radiografia.
Perguntas frequentes sobre o pós-operatório
Quanto tempo leva para andar normal depois da prótese de quadril?
Sem apoio, de seis a oito semanas. Sem mancar e com força completa, do terceiro ao sexto mês, conforme a musculatura antes da cirurgia.
Quantos dias de internação?
Dois a quatro dias na maioria dos hospitais, e a pessoa sai andando com andador.
Quando pode dirigir?
Entre quatro e seis semanas, com liberação do médico e sem analgésico forte. Perna esquerda operada e carro automático liberam antes.
Pode dormir de lado?
Do lado não operado, com travesseiro entre os joelhos, desde a primeira semana. Do lado operado, em geral após seis semanas.
Quando volta a trabalhar?
Trabalho sentado, entre a quarta e a sexta semana. Trabalho em pé ou com carga, do terceiro ao quarto mês.
Quanto tempo dura a prótese?
De 20 a 25 anos na maioria dos pacientes, com os implantes atuais, e mais em quem evita impacto repetido e mantém o peso.
Resumo
A recuperação da prótese de quadril começa no dia seguinte à cirurgia, com o paciente em pé, e segue em fases. São dois a quatro dias de hospital, seis semanas de cuidados contra a luxação, fisioterapia até a décima segunda semana e rotina completa entre o terceiro e o sexto mês. Dirigir volta entre a quarta e a sexta semana; corrida e futebol ficam fora. Luxação, trombose e infecção são as complicações que pedem contato imediato.

