Fumo também compromete vasos sanguíneos, não só os pulmões
Especialista explica como substâncias do cigarro afetam artérias e circulação, com sinais que costumam aparecer primeiro nas pernas

O tabagismo é reconhecido por seus efeitos nos pulmões, mas também compromete os vasos sanguíneos e pode prejudicar a circulação em diferentes regiões do corpo. A informação é do cirurgião vascular Antonio Eduardo Zerati, presidente da regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV-SP), em entrevista ao portal O Diário de Mogi, publicada em 29 de agosto de 2026, data em que se celebra o Dia Nacional de Combate ao Fumo.
Segundo o especialista, o cigarro está entre os principais fatores relacionados à aterosclerose, processo inflamatório que atinge as paredes das artérias e favorece o acúmulo de placas de gordura. Com o tempo, esse acúmulo reduz o espaço por onde o sangue circula e, em casos mais avançados, pode obstruir completamente o vaso.
"A aterosclerose diminui progressivamente o espaço por onde o sangue circula e pode até causar a obstrução completa da artéria. Quando o fluxo sanguíneo se torna insuficiente ou é interrompido, os órgãos e tecidos irrigados por aquele vaso sofrem as consequências", afirmou Zerati ao O Diário de Mogi.
Quais sinais aparecem primeiro nas pernas
De acordo com o médico, os primeiros sintomas do comprometimento vascular causado pelo tabagismo costumam surgir nos membros inferiores. Dor na panturrilha ao caminhar, que melhora após alguns minutos de repouso, é um quadro conhecido como claudicação intermitente.
Com a progressão da doença, a dor pode aparecer mesmo sem esforço físico. Feridas que demoram para cicatrizar também são um sinal de atenção, já que, em situações mais graves, o comprometimento da circulação pode evoluir para gangrena e aumentar o risco de amputação, segundo o especialista consultado pelo O Diário de Mogi.
Por que a nicotina e o monóxido de carbono pesam na circulação
Duas substâncias do cigarro têm papel central nesse processo. A nicotina provoca contração dos vasos sanguíneos e eleva a pressão arterial, enquanto o monóxido de carbono reduz a oxigenação do sangue e favorece a formação de trombos, segundo a reportagem.
Esses mecanismos ajudam a explicar por que os danos do tabagismo não se limitam ao sistema respiratório e podem atingir a circulação em todo o organismo. O risco tende a se agravar quando o fumante já apresenta outros fatores como hipertensão, diabetes ou alterações no colesterol, de acordo com o cirurgião vascular.
Fumante passivo e cigarro eletrônico também representam risco
A fumaça do tabaco também expõe quem não fuma às mesmas substâncias tóxicas, o que amplia o alcance dos danos vasculares para além de quem tem o hábito. Segundo a matéria, ambientes livres de fumo protegem crianças, familiares e colegas que convivem com fumantes.
O texto também alerta que dispositivos eletrônicos não eliminam os riscos à saúde vascular. Esses produtos podem manter a exposição à nicotina e a outras substâncias associadas a efeitos cardiovasculares, especialmente em pessoas com histórico de problemas cardíacos.
O que fazer na prática
Segundo o especialista, a interrupção do tabagismo traz benefícios que começam a aparecer em pouco tempo, incluindo resposta positiva da pressão arterial. Com a manutenção da abstinência, o risco de doenças vasculares e oncológicas tende a diminuir progressivamente.
O acompanhamento médico pode ajudar tanto na avaliação de fatores de risco cardiovascular quanto no processo de cessação do tabagismo. Atividade física regular e alimentação equilibrada também são citadas como hábitos que contribuem para a saúde dos vasos sanguíneos, mas a reportagem não detalha protocolos específicos de tratamento.
"Nunca é tarde para parar de fumar. Abandonar o cigarro representa uma das decisões mais importantes para proteger as artérias e reduzir riscos à saúde", disse Antonio Eduardo Zerati ao O Diário de Mogi.
O que muda para quem fuma ou convive com fumantes
A informação central é que sinais como dor ao caminhar, feridas que não cicatrizam e dor mesmo em repouso não devem ser tratados como normais, e merecem avaliação médica, segundo o especialista ouvido pelo O Diário de Mogi. Não há, na reportagem, indicação de tratamento específico, apenas a recomendação de buscar acompanhamento profissional para investigar a causa desses sintomas.
Fica sem resposta na fonte consultada até que ponto o uso de dispositivos eletrônicos reduz ou não o risco vascular em comparação ao cigarro tradicional, algo que a matéria menciona de forma geral, sem detalhar estudos ou comparação de magnitude entre os dois hábitos. Para quem fuma ou convive com fumantes, o dado prático é reconhecer os sinais de alerta na circulação das pernas e procurar avaliação vascular, sem esperar que a dor se torne constante para buscar orientação médica.
Fontes consultadas
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