Ir para o texto
27 de out.Cultura, comportamento e atualidades
Blog-Se
Orientações

Histórico do veículo: o que revela e como pesquisar antes de comprar

Do chassi ao gravame, entenda o que cada registro do histórico do veículo informa e o que ele não mostra.

Por · · 6 min de leitura
Carros usados estacionados ao ar livre, ilustrando a pesquisa do histórico do veículo antes da compra

Dois carros do mesmo ano, mesma cor e mesmo preço podem ter trajetórias opostas. Um passou a vida na garagem de um único dono; o outro mudou de mãos quatro vezes, passou por leilão e teve o motor retificado. O histórico do veículo é o que distingue um do outro, e ele raramente aparece no anúncio, na conversa com o vendedor ou no brilho da lataria.

Em Porto Alegre, Santa Maria ou Passo Fundo, quem compra usado costuma depender de documentos e de boa fé. Para levantar os registros do cadastro, uma opção é a página do Concar sobre consulta de veículo pela placa no Rio Grande do Sul, que, segundo o texto, reúne débitos, IPVA, multas e leilão a partir da placa.

O que significa histórico do veículo na prática

A expressão designa o conjunto de registros ligados ao carro desde que ele saiu da fábrica. Entram nesse conjunto a identificação (chassi, motor, ano, modelo), a sequência de proprietários, o licenciamento de cada ano, multas e débitos, gravames financeiros, restrições judiciais, passagens por leilão e, em alguns relatórios, indícios de sinistro e recall.

Nenhum relatório mostra tudo.

Cada base tem limites, e a falta de um registro não prova que o fato não ocorreu. O que o relatório faz é reduzir o escuro em que o comprador negocia, o que já vale muito. Quem espera um atestado definitivo sai frustrado; quem espera um mapa de riscos sai bem servido, porque passa a saber onde perguntar, onde desconfiar e onde pedir comprovação por escrito ao vendedor antes de assinar qualquer papel.

De onde vêm as informações

A base nacional de registro é o Renavam. O artigo 125 do Código de Trânsito Brasileiro, o CTB, determina que informações sobre chassi, agregados e características originais sejam prestadas a esse cadastro pelo fabricante ou montadora, pelo órgão alfandegário ou pelo importador, conforme a origem do veículo. O órgão de trânsito do Estado, por sua vez, registra o veículo e alimenta o sistema.

Quando um serviço apresenta um laudo, ele costuma cruzar informações dessas bases com registros de leilão, seguradoras e outras fontes. Segundo a página do Concar sobre o estado, o laudo premium traz identificação, débitos, restrições judiciais e financeiras, leilão, indício de sinistro, recall e proprietário atual. O leitor deve ler esse resumo como descrição do serviço, e não como garantia de resultado.

Identificação do carro: chassi, motor e placa

O ponto de partida é a identidade do carro. O artigo 114 do CTB determina que o veículo seja identificado por caracteres gravados no chassi ou no monobloco, reproduzidos em outras partes, e que o ano de fabricação não possa ser alterado. As regravações dependem de autorização da autoridade de trânsito e só podem ser feitas por estabelecimento credenciado.

Na prática, o comprador deve comparar o número do chassi gravado no carro com o que consta no documento e no relatório. A divergência, mesmo pequena, é motivo para parar a negociação. Um chassi regravado sem registro é sinal de problema que nenhum preço compensa.

Vale olhar também a placa. A do carro precisa estar legível, lacrada e compatível com a descrição no documento. Pelo artigo 230 do CTB, é infração gravíssima conduzir veículo com a placa ou outro elemento de identificação violado ou falsificado.

Débitos, multas e licenciamento

A parte financeira do histórico do veículo é a que mais pesa no bolso. Pelo artigo 131 do CTB, o carro só é considerado licenciado se estiverem quitados os débitos de tributos, encargos e multas vinculados a ele, independentemente de quem cometeu a infração. O artigo 128 impede a expedição de novo certificado de registro enquanto houver essas pendências.

Ou seja, a dívida acompanha o carro.

Um relatório que mostra IPVA em atraso ou multas abertas serve de argumento para negociar o preço ou para exigir que o vendedor quite tudo antes da transferência. Se o dono atual sumir depois do pagamento, o comprador ficará com um carro que não consegue licenciar. A decisão sobre quem deve ressarcir quem é matéria de contrato e, quando necessário, de orientação jurídica.

Gravame, leilão e sinistro

Há registros que não aparecem como dívida, mas pesam. Gravame é a marca de que o carro foi dado em garantia de financiamento, e a transferência costuma depender da liberação do credor. Passagem por leilão indica que o carro foi arrematado em algum momento, seja por recuperação de financiamento, seja por sinistro, e isso tende a afetar o preço de revenda. Indício de sinistro merece cautela redobrada. Pode apontar batida de grande monta, que altera a estrutura do carro e reduz a segurança, ou um dano maior do que o vendedor admite. Diante dessa informação, a opção prudente é pedir vistoria independente, de preferência em oficina de confiança, antes de seguir com a compra.

Sem pressa.

Recall também entra na conta. É a convocação do fabricante para corrigir defeito de fabricação, e o dono anterior pode ter ignorado o chamado, o que acontece mais do que se imagina, porque a carta se perde na mudança de endereço ou o aviso vai para um e-mail abandonado. Um carro com recall pendente não é necessariamente um carro ruim, mas o comprador deve saber disso antes e agendar o reparo na concessionária.

Como pesquisar o histórico do veículo antes de pagar

O roteiro mais seguro tem quatro movimentos. Primeiro, pedir ao vendedor a placa, o Renavam e uma foto do documento do carro. Segundo, consultar um relatório pela placa e ler cada campo com calma. Terceiro, cruzar o relatório com a versão do vendedor e com o estado real do carro. Quarto, só então combinar preço e forma de pagamento.

Em caso de dúvida sobre um registro, o Detran do Estado onde o veículo está registrado é a fonte final. O comprador pode ir ao atendimento com a placa e o Renavam e pedir esclarecimento sobre cada registro. Para golpes de anúncio falso, o portal tem um texto sobre como identificar anúncios falsos de carros usados, que complementa a conferência do carro.

Erros que levam à surpresa depois da compra

Confiar só no documento do vendedor é o erro número um. Ele pode estar vencido, ser cópia de um documento antigo ou, em casos extremos, falsificado. Consultar uma só vez e esquecer vem depois: o histórico muda, e uma multa pode ser lançada entre a primeira consulta e a assinatura da transferência.

Tratar o histórico como atestado de qualidade mecânica é outro tropeço. Ele informa sobre registro e restrições, não sobre o estado do motor ou da suspensão. Para isso, o comprador precisa levar o carro a um mecânico de confiança e fazer um test-drive com o olhar atento a ruídos e vibrações.

Por fim, ignorar a transferência. Depois de pagar, o comprador tem trinta dias para providenciar o novo certificado, conforme o artigo 123 do CTB. Atraso rende multa, e o vendedor continua vinculado ao carro no cadastro até a comunicação.

Fechamento: informação antes do dinheiro

O histórico do veículo não elimina risco, mas muda a posição de quem compra. Em vez de aceitar a palavra do vendedor, o comprador passa a negociar com dados, a pedir abatimento quando há pendência e a desistir quando o relatório contradiz o discurso. É uma etapa curta, que cabe em uma tarde, e que costuma custar muito menos do que o prejuízo que evita.

Valores, prazos e exigências específicas do estado gaúcho devem ser conferidos no Detran-RS, órgão competente. O texto acima não substitui o atendimento nem a orientação jurídica em disputas entre as partes.

Continue por aqui: veja mais em entretenimento.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X

Leia também