Por Luís Celso Jr. | 30 de abril de 2026, atualizado em 29 de abril de 2026
A história da cerveja está ligada à história do trabalho. Antes de ser símbolo de descanso, a bebida foi usada como salário, nutrição e ferramenta de mobilização social. Desde tavernas medievais até pubs da Revolução Industrial, ela uniu trabalhadores ao longo dos séculos. Para celebrar o 1º de maio, a reportagem do Guia da Cerveja separou cinco fatos históricos que mostram a relação da cerveja com o trabalhador.
Salário em estado líquido — Na Antiguidade, a cerveja era parte do pagamento da mão de obra. Uma tabuleta de argila de 3 mil a.C., do Museu Britânico, registra as rações de cerveja distribuídas aos operários em Uruk, na Mesopotâmia. No Egito Antigo, também era comum pagar salário com cerveja, que garantia hidratação e nutrição.
Saison: o combustível das fazendas — Na Bélgica, fazendeiros produziam a Saison no outono e inverno para vender aos trabalhadores temporários no verão e na colheita. Segundo o mestre cervejeiro Phil Markowski, a Saison era uma “cerveja de provisão”, que refrescava os trabalhadores, ocupava a mão de obra no inverno e gerava bagaço para o gado. As Saisons modernas são leves, secas e refrescantes.
Grisette: a aliada dos mineiros — No sul da Bélgica, durante a industrialização do final do século 18 e começo do 19, a Grisette era apreciada por mineradores. Leve e refrescante, ajudava a recuperar energias após o trabalho nas minas. O nome significa “a pequena cinzenta”, possivelmente referindo-se à aparência turva ou à condição dos trabalhadores cobertos de cinzas.
Porter: a “rockstar” da Revolução Industrial — A Porter recebeu o nome dos estivadores do porto de Londres no século 18. Tornou-se símbolo da Revolução Industrial, servindo de sustento para operários. Uma das primeiras cervejas escuras do mundo, era feita com maltes torrados. A Fuller’s London Porter tenta recriar o estilo original.
Bitters, German Lagers e o Movimento Trabalhista — As primeiras manifestações trabalhistas na Inglaterra do século 19 aconteciam em pubs, entre uma cerveja e outra. As Bitters e a German Pils acompanhavam os trabalhadores. Em Chicago, em 1º de maio de 1886, mais de 300 mil trabalhadores fizeram greve por jornada de 8 horas. Três dias depois, ocorreu o massacre de Haymarket. Em 1889, a data de 1º de maio foi instituída como símbolo da luta trabalhista.
O Brasil e o Dia do Trabalho — No Brasil, a data começou a ser comemorada no início do século 20, mas tornou-se feriado em 1924 por decreto do presidente Artur Bernardes. Em 1º de maio de 1943, Getúlio Vargas assinou a CLT, instituindo salário mínimo e férias, alterando o título para Dia do Trabalho.